Francisco Pinto
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Stimulus, [work in progress], video digital, spray sobre televisão crt, dimensões variáveis.  Existe, em todas as artes uma parte física que não pode mais ser encarada nem tratada como antes, que não pode mais ser elidida das iniciativas do conhecimento e das potencialidades modernas. Nem a matéria, nem o espaço, nem o tempo ainda são decorridos vinte anos, o que eles sempre foram. É preciso estar ciente de que, se essas tão imensas inovações transformam toda a técnica das artes e, nesse sentido, actuam sobre a própria invenção, devem, possivelmente, ir até ao ponto de modificar a própria noção de arte, de modo admirável. (Paul valéry in Benjamin, 1975, p.10) Aqui é apresentada a primeira instalação de uma série de quatro, cada uma consiste numa peça de teto onde está inserida no interior uma televisão (CRT) e um leitor de dvd, para que se torne possível apresentar uma pintura sobre vídeo. Nesta instalação é abordada a relação entre a pintura e o vídeo, enquanto old & new media, com o intuito de questionar a validade que lhes é atribuída, não só pelo uso ou desuso das mesmas como também pela reflexão teórica e crítica que sobre elas é exercida. Quando sobreponho a pintura a um vídeo utilizo o ecrã do televisor como suporte fundindo a imagem material (pictórica) ao tansmitido, unindo assim o material ao imaterial (o real ao digital). Segundo Walter Benjamin: “[o] hic et nunc da obra de arte, é a unidade de sua presença no próprio local onde se encontra… O hic et nunc do original constitui aquilo que se chama de autenticidade.” (1975, p.13); ao associar estes dois media subverto a noção de auteticidade que a cada um compete tal como as suas características dominantes, de que é exemplo a intenção de arte de um para um na pintura em contraponto com a proliferação digital do vídeo — a possibilidade da visualização da obra original por um massificado número de espectadores e por todo o globo —, criando aqui uma ponte entre o objeto de arte (a obra) e a conceção de mercadoria digital. O feedback tanto no vídeo como no som, é utilizado para expressar que “[o] mundo real dos fenómenos passou a ser partilhado com o mundo virtual dos simulacros.” (Correia, 2010, p.30) — no decurso do vídeo torna-se sensível que o real da pintura é sugado para o mundo digital, sendo multiplicado e digerido até à exaustão. Este efeito de ondulação do feedback, dá também nome à peça, estabelecendo-se como um paralelismo aos diversos ritmos corpóreos e fisiológicos, aludindo ainda aos possíveis estímulos vitais de um Cyborg. Bibliografia: BENJAMIN, Walter (1975) "A obra de arte na época da sua reprodutibilidade técnica" in: Textos de Walter Benjamin. São Paulo: S.A Cultural e Industrial. CORREIA, Pedro Luís Lopes (2010) Arte e Tecnologia: estratégias de subversão e transgressão : Universidade de Aveiro, Departamento de Comunicação e Arte. Tese de Mestrado
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